ANO NOVO
Todo dezembro a mesma coisa - mil
decisões importantes para os próximos doze meses, embora algumas delas,
convenhamos, talvez nem sejam tão importantes assim.
Desde que me conheço por gente,
faço planos e mais planos nessa época do ano.
A sorte é que vários deles, mesmo que pareçam mirabolantes, acabam se
concretizando, de uma forma ou de outra.
Outros, lá pelo mês de agosto, são empacotados para voltarem para uma
nova tentativa no próximo ano. Confesso
que outros tantos fazem parte do grupo dos que precisam estar lá, sempre, mas que
nunca vão “sair do papel”. Eu os chamo
de sonhos perpétuos, e quanto a eles não tenho, racionalmente, grandes ilusões.
Este ano, não vai ser
diferente. Lá estão eles, em ebulição, assombrando
meus pensamentos, querendo estar no grupo especial, como se fossem escolas de
samba. Se fossem times de futebol, iam
querer estar na primeira divisão. Assim, começo
a fazer a lista com canetas variadas, tipo gestalt aplicada às cores. Sempre as utilizo para obter, de imediato, a
informação que preciso. Tenho certeza de que,quando bem usadas, tornam as
mensagens mais claras e descomplicadas, dispensando, por vezes, palavras
indicativas. E mais uma vez, vou usá-las para colocar no papel meus
projetos.
Os VERMELHOS, bem escandalosos, estarão lá formando a estrutura do novo
ano e, a partir deles, vou construir a vida em 2015. Pertencem aos meus mais variados
campos, e posso ter, às vezes, mais de um plano para o mesmo departamento. Incluem, é claro, os sonhos afetivos. Vermelho é a cor da paixão!
Gosto muito dos AZUIS, aqueles que quero realizar com minhas
diferentes tribos. O melhor é que, dos
sonhados ano passado, um deles, o de incentivo à leitura, vai de vento em
popa. Isso me deixa super animada para
sonhar outros tantos, sempre com os amigos e companheiros por perto para que
tudo seja possível.
No grupo dos VERDES, ficam os que se revestem de
esperança. Nesse grupo, coloco os sonhos
cívicos. O drama é que a cor deles anda
um pouco esmaecida, e já não estão tão charmosos como antes. É claro que não
estou dizendo que um dos meus planos é salvar a Petrobrás, ou deixar na cadeia
essa gente que vem destruindo o Brasil. Para essas tarefas hercúleas, vou convocar
o próprio Hércules, ou, tentando ser moderna, o Quarteto Fantástico. Receio que
apenas no mundo dos quadrinhos possamos ter essa alegria. Mas não desanimo por completo e ainda percebo
alguns planos verdinhos. E vamos desejar, para 2015, um resgate da seriedade,
do compromisso social, da respeitabilidade, da vontade de fazer do país um
lugar mais justo...
Dos
planos escritos na cor LARANJA, o mais
difícil de ser concretizado é o de chegar mais ou menos ao peso da Gisele
Bündchen. Ela pesa 53 quilos, e eu estou
com 61! Para não ficar triste, nem falo na diferença de altura. As oito
toneladas que ficam no meio do caminho entre meu peso e o dela são poderosas, difíceis
de serem abatidas a tiro... preciso mesmo é ficar de boca fechada, sem meus
adorados doces e minha parceira de todo dia, a Coca-Cola.
O mais importante daqueles que decidi
pintar de ROXO é o de escrever mais. Meus 3 ou 4 mais fiéis leitores estão
reclamando, acertadamente, desse meu afastamento das croniquetas, fato que me
deixa super frustrada. O ano se acaba e
eu escrevi pouquíssimas. Como já disse
um milhão de vezes, eu me divirto muito dando esses palpites errados. Levanto-me da cadeira animada quando coloco o
ponto final nas mal traçadas linhas. Por
outro lado, foi um ano de muita leitura, e acabo me sentindo perdoada! Quem sabe essa conversa de final de ano seja
o pontapé inicial para um ano mais profícuo nas letras?
Sei que se encaixam, nos planos ROSADOS, incontáveis
horas com a família, conversas em volta da mesa, gostosas risadas com os
amigos, mais sessões de cinema com pipoca, idas à praia para apreciar o
pôr-do-sol, viagens, e tudo aquilo que cabe na alma e no coração...
Já aprendi que não devo exagerar, e é
fundamental manter os pés no chão, para não ficar desanimada caso não consiga
realizar esses projetos todos. Os sonhos devem ter o tamanho do mundo, mas os
projetos precisam se adequar ao tamanho do braço.
E que
2015 venha com tudo, com o que desejamos e mesmo com o que não queríamos por
perto. Estamos aí para enfrentar, para
aprender, com lenço e com documento... ou mesmo sem eles!