quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

ANO NOVO

              Todo dezembro a mesma coisa - mil decisões importantes para os próximos doze meses, embora algumas delas, convenhamos, talvez nem sejam tão importantes assim.
              Desde que me conheço por gente, faço planos e mais planos nessa época do ano.  A sorte é que vários deles, mesmo que pareçam mirabolantes, acabam se concretizando, de uma forma ou de outra.  Outros, lá pelo mês de agosto, são empacotados para voltarem para uma nova tentativa no próximo ano.  Confesso que outros tantos fazem parte do grupo dos que precisam estar lá, sempre, mas que nunca vão “sair do papel”.  Eu os chamo de sonhos perpétuos, e quanto a eles não tenho, racionalmente, grandes ilusões.
              Este ano, não vai ser diferente.  Lá estão eles, em ebulição, assombrando meus pensamentos, querendo estar no grupo especial, como se fossem escolas de samba.  Se fossem times de futebol, iam querer estar na primeira divisão. Assim, começo a fazer a lista com canetas variadas, tipo gestalt aplicada às cores.  Sempre as utilizo para obter, de imediato, a informação que preciso. Tenho certeza de que,quando bem usadas, tornam as mensagens mais claras e descomplicadas, dispensando, por vezes, palavras indicativas. E mais uma vez, vou usá-las para colocar no papel meus projetos. 
              Os VERMELHOS, bem escandalosos, estarão lá formando a estrutura do novo ano e, a partir deles, vou construir a vida em 2015. Pertencem aos meus mais variados campos, e posso ter, às vezes, mais de um plano para o mesmo departamento.  Incluem, é claro, os sonhos afetivos.  Vermelho é a cor da paixão!
              Gosto muito dos AZUIS, aqueles que quero realizar com minhas diferentes tribos.  O melhor é que, dos sonhados ano passado, um deles, o de incentivo à leitura, vai de vento em popa.  Isso me deixa super animada para sonhar outros tantos, sempre com os amigos e companheiros por perto para que tudo seja possível.  
              No grupo dos VERDES, ficam os que se revestem de esperança.  Nesse grupo, coloco os sonhos cívicos.  O drama é que a cor deles anda um pouco esmaecida, e já não estão tão charmosos como antes. É claro que não estou dizendo que um dos meus planos é salvar a Petrobrás, ou deixar na cadeia essa gente que vem destruindo o Brasil. Para essas tarefas hercúleas, vou convocar o próprio Hércules, ou, tentando ser moderna, o Quarteto Fantástico. Receio que apenas no mundo dos quadrinhos possamos ter essa alegria.  Mas não desanimo por completo e ainda percebo alguns planos verdinhos. E vamos desejar, para 2015, um resgate da seriedade, do compromisso social, da respeitabilidade, da vontade de fazer do país um lugar mais justo...
Dos planos escritos na cor LARANJA, o mais difícil de ser concretizado é o de chegar mais ou menos ao peso da Gisele Bündchen.  Ela pesa 53 quilos, e eu estou com 61! Para não ficar triste, nem falo na diferença de altura. As oito toneladas que ficam no meio do caminho entre meu peso e o dela são poderosas, difíceis de serem abatidas a tiro... preciso mesmo é ficar de boca fechada, sem meus adorados doces e minha parceira de todo dia, a Coca-Cola. 
       O mais importante daqueles que decidi pintar de ROXO é o de escrever mais.  Meus 3 ou 4 mais fiéis leitores estão reclamando, acertadamente, desse meu afastamento das croniquetas, fato que me deixa super frustrada.  O ano se acaba e eu escrevi pouquíssimas.  Como já disse um milhão de vezes, eu me divirto muito dando esses palpites errados.  Levanto-me da cadeira animada quando coloco o ponto final nas mal traçadas linhas.  Por outro lado, foi um ano de muita leitura, e acabo me sentindo perdoada!  Quem sabe essa conversa de final de ano seja o pontapé inicial para um ano mais profícuo nas letras?
       Sei que se encaixam, nos planos ROSADOS, incontáveis horas com a família, conversas em volta da mesa, gostosas risadas com os amigos, mais sessões de cinema com pipoca, idas à praia para apreciar o pôr-do-sol, viagens, e tudo aquilo que cabe na alma e no coração...   
       Já aprendi que não devo exagerar, e é fundamental manter os pés no chão, para não ficar desanimada caso não consiga realizar esses projetos todos. Os sonhos devem ter o tamanho do mundo, mas os projetos precisam se adequar ao tamanho do braço.

E que 2015 venha com tudo, com o que desejamos e mesmo com o que não queríamos por perto.  Estamos aí para enfrentar, para aprender, com lenço e com documento... ou mesmo sem eles!

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

LUCRO CERTO - IDOSOS VERSUS BEBÊS


         Estamos invadindo o mundo... nós, os idosos.  Em 2013, éramos 15 dos 200 milhões de brasileiros.  A expectativa de vida aumentou e, com a mudança da estrutura etária do país, queiramos ou não, muita coisa vem mudando. 
         A população economicamente produtiva, que sustenta a chamada “parcela dependente” (menores e idosos), encolhe a cada ano com essa mudança de perfil, afetando, por exemplo, a previdência social e o sistema de saúde.  Hoje, cem pessoas trabalham e “sustentam” quarenta e seis.  Para 2060, a proporção será de setenta “dependendo” de cem que trabalham, que vão ter que se esforçar muito para “carregar nas costas” tanta gente.  Mas também ouvi dizer que tem um número considerável de pessoas vivendo com ajuda da aposentadoria dos vovôs e vovós, já que as coisas não vão lá tão bem e o desemprego não dá trégua.
         A ONU acredita que, em 2050, seremos 2 bilhões de velhinhos.  Seremos, não, serão, pois eu já estarei em outro planeta... mas é realmente significativo o percentual.   Acabei de ler um livro super interessante -  Ten Billion, de Stephen Emmott, diretor do Laboratório de Ciência da Computação da Microsoft, em Cambridge e professor em Oxford – que é um soco no estômago, com seus cenários um tanto desanimadores quanto às condições de vida na Terra daqui para a frente.  Segundo seus cálculos, seremos 9 bilhões em 2050 e, lembrando, 2 bilhões de idosos. 
Por incrível que pareça, até no Brasil as taxas de natalidade caíram.  Temos a marca de 1,77 filhos por mulher, taxa essa que deve cair em 15 anos para 1,5.    A reposição natural da população precisa de 2,1 filhos por mulher.   Pelo que alguns especialistas dizem, tanto em 2025, como em 2060, os brasileiros serão cerca de 218 milhões, sem qualquer aumento.  Não será por falta de gente fazendo amor, não! A turma anda animada como nunca, mas a ciência dá variadas ferramentas para o controle, e aí ficam elas por elas.
         Acabei de ler que estão fechando maternidades e aumentando o número de leitos para atender às doenças típicas da velhice.  Será por nossos belos olhos?  Claro que não! Dizem que o retorno financeiro é o triplo se comparado ao que gera o atendimento aos bebês.  Esse é um fenômeno global, não apenas abaixo do Equador, mas aqui no Brasil temos testemunhado sérios problemas enfrentados pelas grávidas... não só problemas, mas algumas tragédias também.  Portanto, há que se repensar sobre essas mudanças.
         Sendo idosos espertos, estamos nos exercitando com regularidade, comendo o que é saudável, fazendo cursos, além do fato de já podermos contar com tratamentos bastante sofisticados. Ou seja, vivendo mais e melhor!  Não só fisicamente, mas o emocional de significativa parcela da população mais velha anda muito bem, obrigada! Nossa tropinha da terceira idade, consciente de que tem que trilhar novos caminhos, tem realmente estabelecido novos padrões de comportamento e de estilo de vida.  Estamos conectados na internet, usando o FACE, “texting” o tempo todo, indo para a balada. 
E quando se fala em amor, descobri que um maior número de casais se formam a partir da meia idade, comprovando que o preconceito vem sendo ultrapassado... Muitos velhinhos enxutos estão namorando, juntando os trapinhos, às vezes até casando de papel passado!
         Ruy Castro (pelo menos recebi como sendo dele) escreveu sobre essa fase da vida depois que ouviu, enquanto aguardava a chamada para um vôo, que teriam prioridade as gestantes, os portadores de necessidades especiais, os que estivessem acompanhados de crianças de colo e os da “melhor idade”.   Pensou, pensou  e concluiu: Privilégios da "melhor idade" são o ressecamento da pele, a osteoporose, as placas de gordura no coração, a pressão lembrando placar de basquete americano, a falência dos neurônios, as baixas de visão e audição, a falta de ar, a queda de cabelo, a tendência à obesidade e as disfunções sexuais. Ou seja, nós, da "melhor idade", estamos com tudo, e os demais podem ir lamber sabão.”
         Adorei lembrar que muitos famosos só se destacaram depois de velhinhos.   Cartola foi um... gravou o primeiro disco aos 66.   E Clementina de Jesus foi descoberta aos 62 anos!  O grande Saramago escreveu o primeiro livro aos 25 anos, e o segundo somente aos 58!  E foi aí que começou a chamar atenção mesmo.  Ainda trabalham na televisão, fazendo um grande sucesso, com mais de oitenta anos,  Fernanda Montenegro, Daisy Lúcidi, Ary Fontoura, Francisco Cuoco, todos com mais de 80 anos. Será que ainda temos alguma chance???  Estou até fazendo um curso de teatro.  Nunca se sabe...
         Ruy Castro pode ter exagerado quando reclamou até não poder mais das dificuldades que temos que enfrentar com o passar dos anos mas, guardadas as devidas proporções, ele tem razão, pois algumas coisas são realmente desconfortáveis.  Mas aquele quadro que se apresentava de uma velhice triste, sem graça e solitária, já vai se apagando...
         Resumo da ópera... Na melhor idade nem tudo são flores. Mas, por outro lado, há ainda muita coisa boa a ser vivida depois de dobrarmos o cabo da boa esperança.  E, se tivermos uma vida feliz, precisaremos menos dos médicos.  E os administradores de sistemas de saúde poderão se preocupar menos com nossa longevidade, mesmo que de olho nos lucros que podem advir daí.  Lucro mesmo, temos nós, com essa vida melhor que estamos vivendo.

Por isso, peço aos que tiveram essa ideia louca de diminuir leitos nas maternidades, na ânsia de criar vagas para os velhinhos, que voltem a oferecer um bom atendimento aos que estão chegando agora à vida, que é complicada, eu sei, mas ainda muito boa de ser vivida!  E tanto à turma mais jovem quanto aos mais adiantados no tempo, trago dos anos 60 um ótimo conselho – Make love, not war!

domingo, 24 de agosto de 2014

CRÔNICA  DE UMA TRAGÉDIA ANUNCIADA
                   Tenho ficado calada e sem escrever as croniquetas que me divertem tanto, por uma razão muito simples - está difícil.  Adoro falar sobre assuntos interessantes, às vezes sérios, outras nem tanto, mas sempre com uma boa dose de humor. O drama é que não estou conseguindo me divertir fazendo isso, pois o que vejo por aí é desanimador. Porém, ficar ruminando o que incomoda é prejudicial à saúde, decidi organizar meu mal estar, colocar um pouco de esperança na alma e escrever alguma coisa.  Mas está difícil.
                  É fato que, de 2003 a 2013, morreram mais de quinhentos mil brasileiros em acidentes de trânsito e, no mesmo período, outras quinhentas mil de pessoas foram assassinadas.  Feitas as contas, perdemos, nesses 10 anos, um milhão de pessoas somente em razão dessas duas causas!  
                    Para se ter uma idéia mais concreta sobre esses números, podemos dizer que perdemos praticamente uma vez e meia a população do Acre, ou um pouco menos da metade dos sergipanos... se preferirmos, podemos dizer que morreu o equivalente a um sexto de possíveis eleitores da família Sarney no Maranhão.  Se quisermos falar em termos de países, teríamos acabado com a Islândia, Mônaco, Ilhas Seychelles e mais as 10 ilhas de Cabo Verde, tudo junto!  Será possível?!
                   Fiz algumas outras comparações e fiquei chocada - na guerra  entre Irã e Iraque, nos anos 80, considerada uma das mais sangrentas, morreram um milhão e cem mil.  Já na Chechênia, de 1999 a 2004, morreram cerca de 6.500 pessoas.  Não posso afirmar que os números estão certos, mas foram os que encontrei. E até onde eu sei, não estamos em guerra no Brasil!
                   Não estou chocada somente com os números desse genocídio disfarçado que, infelizmente, testemunhamos aqui na nossa terra.  Se discutirmos Educação, igualmente me estarreço, e não preciso tecer qualquer comentário, pois todos sabemos o que anda acontecendo nos mais variados rincões desse país. Somos somente 26% de alfabetizados plenamente, 46% de nós apresentam apenas habilidades básicas, outros 20% são considerados com nível rudimentar de aprendizado e temos 8% de analfabetos. Somos o oitavo país entre os dez com maior número de analfabetos.  O resultado desse descalabro é a morte da possibilidade de futuro de milhões de crianças e jovens. 
                   E,  na Saúde, tampouco as coisas vão bem.  E quando ela vai desse jeito, morrem milhares de cidadãos, sejam crianças, jovens, adultos ou idosos.  Mas como disse o ex- secretário de saúde do Distrito Federal (foi demitido há poucos dias), tudo isso é culpa da população, que tem a mania de ir ao hospital à noite.  Imaginem só, que gente mais desorganizada... provavelmente, ficam no shopping o dia inteiro, ou fazendo fofoca com as vizinhas e, depois, reclamam por não conseguirem atendimento médico à noite. 
                   Outro ponto nevrálgico - a água.   O mundo inteiro sabe que as condições climáticas estão de pernas para o ar.  Por que nossos governantes, percebendo que o índice pluviométrico não estava ajudando, e que os reservatórios chegaram a um limite perigoso, não admitiram logo o problema e tomaram as providências cabíveis.? Ficaram adiando, disfarçando, para evitar eventuais prejuízos eleitorais.   E o povo que arque com as consequências.  Nossos técnicos deveriam aprender com especialistas de países onde a água é escassa, mas onde não se sente a falta dela, pois conseguem otimizar seu uso.
                   Temos, no Brasil, 13,5% das reservas mundiais de água doce.  Parece bom!  Entretanto, na região Centro-Oeste, há um enorme desperdício com a agricultura, e por causa desse mau uso,  73% do total da água usada no país inteiro são consumidos lá!  No Sul e no Sudeste, temos tanta poluição que, às vezes, as companhias simplesmente desistem de tratar a água, tal a sua imundice.  E jogam fora!  Será isso mesmo?  Está difícil.
                   Tento organizar as ideias, mas vejo tudo muito mal parado.  Educação, Saúde, Saneamento Básico, Transportes, Obras Públicas, Energia...  Sobre a Justiça, nem queria falar, para não ficar taquicárdica.   Os juízes no Estado do Rio de Janeiro julgam, por ano, cinco vezes mais processos do que é recomendado pelos estudiosos.  Temos quase cem milhões de processos em tramitação no país.  São 17 mil juízes, pelo que andei lendo, ficando, cada um, com cerca de 55.900 processos.  Impossível analisá-los com atenção e critério, pois não são mágicos.
                   Como cidadãos, estamos sempre nos queixando da polícia, do prefeito, do governador, dos parlamentares, do presidente; enfim, reclamamos dos Três Poderes e de muitos outros adminsitradores públicos.  Dizemos que são incompetentes, irresponsáveis, corruptos, negligentes, enfim, não faltam adjetivos para os qualificarmos.  Mas e nós?  Será que fazemos a nossa parte quando os problemas começam a aparecer?  Quantos de nós agimos com responsabilidade?  Não sei a resposta, mas vale refletir sobre a questão.
                   E quanto aos acidentes de trânsito?  Respeitamos os limites de velocidade?  Observamos as regras básicas de segurança? Estamos descuidados com a vida em grupo?   Atiramos pedras neles e nos esquecemos do nosso próprio “telhado”?
                   Parece que estamos presos em um círculo vicioso.  Eles erram, a gente reclama, mas também faz as nossas besteiras... talvez achando que estamos desculpados já que os que nos representam estão fazendo grandes bobagens.  E, colocando a culpa neles, acabamos nos sentindo “perdoados”, tipo “ladrão que rouba ladrão, tem cem anos de perdão”.  Será que cometemos nossos pecadilhos para “compensar” os pecados capitais deles?  Será que, com essa vida tão atribulada, estamos perdendo a sensibilidade com os outros, e esquecendo de valores que nos eram caros?  Os torcedores dos times que se saem mal nas partidas tentam agredir seus jogadores, e os de torcidas diferentes precisam ser controladas pela polícia para não se matarem uns aos outros. 
                   Minha primeira versão dessa crônica era menor, bem menor.  Pensei, então, que a única vantagem de me encontrar nesse profundo desânimo cívico seria a de que meu texto estaria bem mais curto do que os que geralmente escrevo.  E fiquei satisfeita, pois ficar se lamentando em formato “romance” é muito chato... e não correria o risco de perder meus leitores fiéis escrevendo no formato “short story”.

         Mas, como o escorpião, minha natureza me traiu e não me deixou ser suscinta.   Continuei escrevendo, escrevendo, e aqui estou.  Assunto não me falta, mas consegui controlar-me  para não fazer disso uma tese de mestrado. Por outro lado, tem ainda espaço para que eu afirme que continuo me esforçando para fazer a minha parte, independentemente do que esses nossos representantes andam fazendo.  É um trabalho de formiguinha, com um dedal tentando apagar um incêndio enorme... mas espero pelo menos melhorar a vida em sociedade aqui no meu andar. Nem me atrevo a dizer no prédio, apenas no andar.  E fico com a esperança de que esse período complicado não dure muito, para que não se confirme como crônica de uma tragédia anunciada.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

DIA INTERNACIONAL DA FELICIDADE

             Vinte de março foi escolhido pela ONU como Dia Internacional da Felicidade, com esperança que os governos se esforcem para erradicar a pobreza, promovam a inclusão social e a harmonia intercultural, ofereçam condições de trabalho que possam garantir a subsistência das pessoas de forma digna, com o meio ambiente protegido e políticas públicas que reflitam bons governos.  Isso seria, vamos dizer, condições básicas para sermos felizes, como indivíduos e como cidadãos.  O resto a gente sai em busca!
             O calendário das diferentes datas “especiais” que são celebradas pela Nações Unidas é bastante variado.  Descobri que, desde 1999, 19 de novembro é o Dia Internacional do Homem.  A cada 8 de março, quando as mulheres são homenageadas, os homens reivindicam uma data para eles, sem ter ideia de que ela já existe!  Atenção, mulheres! Vamos fazer valer a data enviando mensagens, flores ou bombons antes mesmo que eles tenham que nos lembrar.  Acho que a iniciativa trará bons frutos!
             Fico na dúvida se estas datas realmente fazem alguma diferença para a Humanidade. Encontrei temas importantes, mas também achei uns tantos bem estranhos, como o Dia Internacional do Vôo Tripulado e a Semana da Solidariedade com os Povos sem Governo Próprio, em 25 de maio.  Deste último, não consegui saber nada, pois nem o Google, que conta o que deve e o que não deve, ajudou. Portanto, não tenho como prestigiar.  De toda sorte, arrisquei a perguntar a uma amiga o que seria pior para ela - não ter governo próprio ou ter que aturar desgovernos.  Como eu, não soube responder sem entender do que se trata.
             Já temos o Dia Internacional do Meio Ambiente, em 5 de junho.  Aí descubro o dia 6 de novembro como Dia Internacional para a Prevenção da Exploração do Meio Ambiente em Tempos de Guerra e Conflito Armado.  Será que os “legisladores” da ONU, como não podem passar os dias dando nome a ruas e praças, ou outorgando títulos de cidadãos honorários aos amigos, como se testemunha aqui no Brasil, decidiram inventar dias internacionais disso e daquilo? Espero estar enganada e desejo que eles realmente consigam que alguma coisa seja feita em razão dessas comemorações.
             Voltando à felicidade.  O que ela representa para cada um dos sete bilhões de seres humanos desse planeta tem um sentido muito pessoal e intransferível - impossível conceituá-la.  Mas os pensadores se esforçam, e foi Tales de Mileto quem deixou para a posteridade a primeira referência filosófica sobre o assunto.  Entendia que as pessoas felizes eram as que tinham corpo são e forte, alma bem formada e, para completar, muito sorte. 
             Kant, séculos depois, afirmou que a felicidade seria a condição do ser racional no mundo, para quem, ao longo da vida, tudo acontecesse de acordo com seu desejo e vontade.  E no século XX, Bertrand Russell, no seu “A conquista da felicidade”, concluiu que, para sermos felizes, precisamos alimentar diferentes interesses e estabelecer boas relações com as coisas e com outras pessoas.  Em resumo, de algum lado virá uma boa resposta.  Atiramos no que vemos e acertamos no que não vemos.   E vamos tentando!
             Andei lendo que Freud chegou à conclusão de que a felicidade seria uma meta inatingível na vida do homem, devido aos limites impostos pela cultura e por nossa própria constituição psíquica.  A eliminação do desprazer em vez de uma busca pelo prazer, isso sim, causaria um estado de bem estar.  Para ele, o funcionamento do aparelho psíquico do ser humando não está voltado para atingir o estado do prazer e, sim, para atingir a inexcitabilidade. 
             Será que o conceito de Nirvana, do Budismo, tem mais ou menos o mesmo sentido?  Seria o estado mental de não se perturbar com nada, não desejar nada, não gostar de nada o que devemos realmente almejar?  Albert Camus tinha certeza de que “Toda a infelicidade dos homens nasce da esperança”.
             Confesso ter achado esses últimos conceitos bem pouco interessantes.  Prefiro um belo temperinho na vida do que o marasmo proposto para se alcançar esse tipo de felicidade, com a existência sem esperança, desejo, vontade ou expectativas. 
             No frigir dos ovos, acho até que dei sorte em não ter entendido bem as explicações do pai da Psicanálise, pois correria o risco de achar ainda mais complicado ser feliz.  Reafirmo que não me importo em levar uns tombos vez por outra, se tiver, mesmo que ocasionalmente, a oportunidade de desejar e conseguir coisas prazerosas. 
             Enquanto isso, lá vou eu, pela estrada afora, procurando, e encontrando a felicidade quando vejo a lua cheia a iluminar minha janela, ao ouvir um bom dia cheio de amor, e quando leio que a menina afegã foi resgatada de um casamento contratado em troca de uma dívida.  Vi a expressão triste no rostinho daquela criança que não tem ideia, ainda, do que pode ser um minuto de felicidade.  Espero, de verdade, que um dia ela possa descobrir