sexta-feira, 11 de abril de 2014

DIA INTERNACIONAL DA FELICIDADE

             Vinte de março foi escolhido pela ONU como Dia Internacional da Felicidade, com esperança que os governos se esforcem para erradicar a pobreza, promovam a inclusão social e a harmonia intercultural, ofereçam condições de trabalho que possam garantir a subsistência das pessoas de forma digna, com o meio ambiente protegido e políticas públicas que reflitam bons governos.  Isso seria, vamos dizer, condições básicas para sermos felizes, como indivíduos e como cidadãos.  O resto a gente sai em busca!
             O calendário das diferentes datas “especiais” que são celebradas pela Nações Unidas é bastante variado.  Descobri que, desde 1999, 19 de novembro é o Dia Internacional do Homem.  A cada 8 de março, quando as mulheres são homenageadas, os homens reivindicam uma data para eles, sem ter ideia de que ela já existe!  Atenção, mulheres! Vamos fazer valer a data enviando mensagens, flores ou bombons antes mesmo que eles tenham que nos lembrar.  Acho que a iniciativa trará bons frutos!
             Fico na dúvida se estas datas realmente fazem alguma diferença para a Humanidade. Encontrei temas importantes, mas também achei uns tantos bem estranhos, como o Dia Internacional do Vôo Tripulado e a Semana da Solidariedade com os Povos sem Governo Próprio, em 25 de maio.  Deste último, não consegui saber nada, pois nem o Google, que conta o que deve e o que não deve, ajudou. Portanto, não tenho como prestigiar.  De toda sorte, arrisquei a perguntar a uma amiga o que seria pior para ela - não ter governo próprio ou ter que aturar desgovernos.  Como eu, não soube responder sem entender do que se trata.
             Já temos o Dia Internacional do Meio Ambiente, em 5 de junho.  Aí descubro o dia 6 de novembro como Dia Internacional para a Prevenção da Exploração do Meio Ambiente em Tempos de Guerra e Conflito Armado.  Será que os “legisladores” da ONU, como não podem passar os dias dando nome a ruas e praças, ou outorgando títulos de cidadãos honorários aos amigos, como se testemunha aqui no Brasil, decidiram inventar dias internacionais disso e daquilo? Espero estar enganada e desejo que eles realmente consigam que alguma coisa seja feita em razão dessas comemorações.
             Voltando à felicidade.  O que ela representa para cada um dos sete bilhões de seres humanos desse planeta tem um sentido muito pessoal e intransferível - impossível conceituá-la.  Mas os pensadores se esforçam, e foi Tales de Mileto quem deixou para a posteridade a primeira referência filosófica sobre o assunto.  Entendia que as pessoas felizes eram as que tinham corpo são e forte, alma bem formada e, para completar, muito sorte. 
             Kant, séculos depois, afirmou que a felicidade seria a condição do ser racional no mundo, para quem, ao longo da vida, tudo acontecesse de acordo com seu desejo e vontade.  E no século XX, Bertrand Russell, no seu “A conquista da felicidade”, concluiu que, para sermos felizes, precisamos alimentar diferentes interesses e estabelecer boas relações com as coisas e com outras pessoas.  Em resumo, de algum lado virá uma boa resposta.  Atiramos no que vemos e acertamos no que não vemos.   E vamos tentando!
             Andei lendo que Freud chegou à conclusão de que a felicidade seria uma meta inatingível na vida do homem, devido aos limites impostos pela cultura e por nossa própria constituição psíquica.  A eliminação do desprazer em vez de uma busca pelo prazer, isso sim, causaria um estado de bem estar.  Para ele, o funcionamento do aparelho psíquico do ser humando não está voltado para atingir o estado do prazer e, sim, para atingir a inexcitabilidade. 
             Será que o conceito de Nirvana, do Budismo, tem mais ou menos o mesmo sentido?  Seria o estado mental de não se perturbar com nada, não desejar nada, não gostar de nada o que devemos realmente almejar?  Albert Camus tinha certeza de que “Toda a infelicidade dos homens nasce da esperança”.
             Confesso ter achado esses últimos conceitos bem pouco interessantes.  Prefiro um belo temperinho na vida do que o marasmo proposto para se alcançar esse tipo de felicidade, com a existência sem esperança, desejo, vontade ou expectativas. 
             No frigir dos ovos, acho até que dei sorte em não ter entendido bem as explicações do pai da Psicanálise, pois correria o risco de achar ainda mais complicado ser feliz.  Reafirmo que não me importo em levar uns tombos vez por outra, se tiver, mesmo que ocasionalmente, a oportunidade de desejar e conseguir coisas prazerosas. 
             Enquanto isso, lá vou eu, pela estrada afora, procurando, e encontrando a felicidade quando vejo a lua cheia a iluminar minha janela, ao ouvir um bom dia cheio de amor, e quando leio que a menina afegã foi resgatada de um casamento contratado em troca de uma dívida.  Vi a expressão triste no rostinho daquela criança que não tem ideia, ainda, do que pode ser um minuto de felicidade.  Espero, de verdade, que um dia ela possa descobrir