DIA INTERNACIONAL DA FELICIDADE
Vinte
de março foi escolhido pela ONU como Dia Internacional da Felicidade, com esperança
que os governos se esforcem para erradicar a pobreza, promovam a inclusão
social e a harmonia intercultural, ofereçam condições de trabalho que possam garantir
a subsistência das pessoas de forma digna, com o meio ambiente protegido e políticas
públicas que reflitam bons governos. Isso
seria, vamos dizer, condições básicas para sermos felizes, como indivíduos e
como cidadãos. O resto a gente sai em
busca!
O
calendário das diferentes datas “especiais” que são celebradas pela Nações
Unidas é bastante variado. Descobri que,
desde 1999, 19 de novembro é o Dia Internacional do Homem. A cada 8 de março, quando as mulheres são homenageadas,
os homens reivindicam uma data para eles, sem ter ideia de que ela já existe! Atenção, mulheres! Vamos fazer valer a data
enviando mensagens, flores ou bombons antes mesmo que eles tenham que nos
lembrar. Acho que a iniciativa trará
bons frutos!
Fico
na dúvida se estas datas realmente fazem alguma diferença para a Humanidade. Encontrei
temas importantes, mas também achei uns tantos bem estranhos, como o Dia Internacional
do Vôo Tripulado e a Semana da Solidariedade com os Povos sem Governo Próprio,
em 25 de maio. Deste último, não
consegui saber nada, pois nem o Google, que conta o que deve e o que não deve, ajudou.
Portanto, não tenho como prestigiar. De
toda sorte, arrisquei a perguntar a uma amiga o que seria pior para ela - não
ter governo próprio ou ter que aturar desgovernos. Como eu, não soube responder sem entender do
que se trata.
Já
temos o Dia Internacional do Meio Ambiente, em 5 de junho. Aí descubro o dia 6 de novembro como Dia
Internacional para a Prevenção da Exploração do Meio Ambiente em Tempos de
Guerra e Conflito Armado. Será que os
“legisladores” da ONU, como não podem passar os dias dando nome a ruas e
praças, ou outorgando títulos de cidadãos honorários aos amigos, como se testemunha
aqui no Brasil, decidiram inventar dias internacionais disso e daquilo? Espero estar
enganada e desejo que eles realmente consigam que alguma coisa seja feita em
razão dessas comemorações.
Voltando
à felicidade. O que ela representa para
cada um dos sete bilhões de seres humanos desse planeta tem um sentido muito pessoal
e intransferível - impossível conceituá-la. Mas os pensadores se esforçam, e foi Tales de
Mileto quem deixou para a posteridade a primeira referência filosófica sobre o assunto. Entendia que as pessoas felizes eram as que
tinham corpo são e forte, alma bem formada e, para completar, muito sorte.
Kant,
séculos depois, afirmou que a felicidade seria a condição do ser racional no
mundo, para quem, ao longo da vida, tudo acontecesse de acordo com seu desejo e
vontade. E no século XX, Bertrand
Russell, no seu “A conquista da felicidade”, concluiu que, para sermos felizes,
precisamos alimentar diferentes interesses e estabelecer boas relações com as
coisas e com outras pessoas. Em resumo,
de algum lado virá uma boa resposta.
Atiramos no que vemos e acertamos no que não vemos. E vamos tentando!
Andei
lendo que Freud chegou à conclusão de que a felicidade seria uma meta
inatingível na vida do homem, devido aos limites impostos pela cultura e por nossa
própria constituição psíquica. A
eliminação do desprazer em vez de uma busca pelo prazer, isso sim, causaria um estado
de bem estar. Para ele, o funcionamento
do aparelho psíquico do ser humando não está voltado para atingir o estado do
prazer e, sim, para atingir a inexcitabilidade.
Será
que o conceito de Nirvana, do Budismo, tem mais ou menos o mesmo sentido? Seria o estado mental de não se perturbar com
nada, não desejar nada, não gostar de nada o que devemos realmente almejar? Albert Camus tinha certeza de que “Toda a
infelicidade dos homens nasce da esperança”.
Confesso
ter achado esses últimos conceitos bem pouco interessantes. Prefiro um belo temperinho na vida do que o
marasmo proposto para se alcançar esse tipo de felicidade, com a existência sem
esperança, desejo, vontade ou expectativas.
No
frigir dos ovos, acho até que dei sorte em não ter entendido bem as explicações
do pai da Psicanálise, pois correria o risco de achar ainda mais complicado ser
feliz. Reafirmo que não me importo em
levar uns tombos vez por outra, se tiver, mesmo que ocasionalmente, a
oportunidade de desejar e conseguir coisas prazerosas.
Enquanto isso, lá vou eu, pela estrada afora, procurando,
e encontrando a felicidade quando vejo a lua cheia a iluminar minha janela, ao ouvir
um bom dia cheio de amor, e quando leio que a menina afegã foi resgatada de um
casamento contratado em troca de uma dívida.
Vi a expressão triste no rostinho daquela criança que não tem ideia,
ainda, do que pode ser um minuto de felicidade.
Espero, de verdade, que um dia ela possa descobrir
Todos nós andamos ao encontro dessa Felicidade... da utopia...
ResponderExcluirTodos nós...
ExcluirSingelo e belo texto sobre a felicidade, enfim formada desses pequenos instantes de deleite e bem-estar.
ResponderExcluirMesmo que não se perceba, fazem a diferença
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