Estamos invadindo o mundo... nós, os idosos. Em 2013, éramos 15 dos 200 milhões de
brasileiros. A expectativa de vida
aumentou e, com a mudança da estrutura etária do país, queiramos ou não, muita
coisa vem mudando.
A população economicamente produtiva, que sustenta a chamada
“parcela dependente” (menores e idosos), encolhe a cada ano com essa mudança de
perfil, afetando, por exemplo, a previdência social e o sistema de saúde. Hoje, cem pessoas trabalham e “sustentam”
quarenta e seis. Para 2060, a proporção
será de setenta “dependendo” de cem que trabalham, que vão ter que se esforçar
muito para “carregar nas costas” tanta gente.
Mas também ouvi dizer que tem um número considerável de pessoas vivendo
com ajuda da aposentadoria dos vovôs e vovós, já que as coisas não vão lá tão
bem e o desemprego não dá trégua.
A ONU acredita que, em 2050, seremos 2 bilhões de
velhinhos. Seremos, não, serão, pois eu
já estarei em outro planeta... mas é realmente significativo o percentual. Acabei de ler um livro super interessante - Ten Billion, de Stephen Emmott, diretor do
Laboratório de Ciência da Computação da Microsoft, em Cambridge e professor em
Oxford – que é um soco no estômago, com seus cenários um tanto desanimadores quanto
às condições de vida na Terra daqui para a frente. Segundo seus cálculos, seremos 9 bilhões em
2050 e, lembrando, 2 bilhões de idosos.
Por
incrível que pareça, até no Brasil as taxas de natalidade caíram. Temos a marca de 1,77 filhos por mulher, taxa
essa que deve cair em 15 anos para 1,5.
A reposição natural da população precisa de 2,1 filhos por mulher. Pelo que alguns especialistas dizem, tanto
em 2025, como em 2060, os brasileiros serão cerca de 218 milhões, sem qualquer
aumento. Não será por falta de gente
fazendo amor, não! A turma anda animada como nunca, mas a ciência dá variadas
ferramentas para o controle, e aí ficam elas por elas.
Acabei de ler que estão fechando maternidades e aumentando o
número de leitos para atender às doenças típicas da velhice. Será por nossos belos olhos? Claro que não! Dizem que o retorno financeiro
é o triplo se comparado ao que gera o atendimento aos bebês. Esse é um fenômeno global, não apenas abaixo
do Equador, mas aqui no Brasil temos testemunhado sérios problemas enfrentados
pelas grávidas... não só problemas, mas algumas tragédias também. Portanto, há que se repensar sobre essas
mudanças.
Sendo idosos espertos, estamos nos exercitando com
regularidade, comendo o que é saudável, fazendo cursos, além do fato de já podermos
contar com tratamentos bastante sofisticados. Ou seja, vivendo mais e melhor! Não só fisicamente, mas o emocional de
significativa parcela da população mais velha anda muito bem, obrigada! Nossa
tropinha da terceira idade, consciente de que tem que trilhar novos caminhos,
tem realmente estabelecido novos padrões de comportamento e de estilo de
vida. Estamos conectados na internet,
usando o FACE, “texting” o tempo todo, indo para a balada.
E
quando se fala em amor, descobri que um maior número de casais se formam a
partir da meia idade, comprovando que o preconceito vem sendo ultrapassado...
Muitos velhinhos enxutos estão namorando, juntando os trapinhos, às vezes até
casando de papel passado!
Ruy Castro (pelo menos recebi como sendo dele) escreveu
sobre essa fase da vida depois que ouviu, enquanto aguardava a chamada para um
vôo, que teriam prioridade as gestantes, os portadores de necessidades
especiais, os que estivessem acompanhados de crianças de colo e os da “melhor
idade”. Pensou, pensou e concluiu: “Privilégios da
"melhor idade" são o ressecamento da pele, a osteoporose, as placas
de gordura no coração, a pressão lembrando placar de basquete americano, a
falência dos neurônios, as baixas de visão e audição, a falta de ar, a queda de
cabelo, a tendência à obesidade e as disfunções sexuais. Ou seja, nós, da
"melhor idade", estamos com tudo, e os demais podem ir lamber sabão.”
Adorei
lembrar que muitos famosos só se destacaram depois de velhinhos. Cartola foi um... gravou o primeiro disco
aos 66. E Clementina de Jesus foi
descoberta aos 62 anos! O grande Saramago
escreveu o primeiro livro aos 25 anos, e o segundo somente aos 58! E foi aí que começou a chamar atenção
mesmo. Ainda trabalham na televisão,
fazendo um grande sucesso, com mais de oitenta anos, Fernanda Montenegro, Daisy Lúcidi, Ary
Fontoura, Francisco Cuoco, todos com mais de 80 anos. Será que ainda temos
alguma chance??? Estou até fazendo um
curso de teatro. Nunca se sabe...
Ruy Castro pode ter exagerado quando reclamou até não poder
mais das dificuldades que temos que enfrentar com o passar dos anos mas,
guardadas as devidas proporções, ele tem razão, pois algumas coisas são
realmente desconfortáveis. Mas aquele
quadro que se apresentava de uma velhice triste, sem graça e solitária, já vai
se apagando...
Resumo da ópera... Na melhor idade nem tudo são flores. Mas,
por outro lado, há ainda muita coisa boa a ser vivida depois de dobrarmos o
cabo da boa esperança. E, se tivermos
uma vida feliz, precisaremos menos dos médicos.
E os administradores de sistemas de saúde poderão se preocupar menos com
nossa longevidade, mesmo que de olho nos lucros que podem advir daí. Lucro mesmo, temos nós, com essa vida melhor
que estamos vivendo.
Por
isso, peço aos que tiveram essa ideia louca de diminuir leitos nas maternidades,
na ânsia de criar vagas para os velhinhos, que voltem a oferecer um bom atendimento
aos que estão chegando agora à vida, que é complicada, eu sei, mas ainda muito
boa de ser vivida! E tanto à turma mais
jovem quanto aos mais adiantados no tempo, trago dos anos 60 um ótimo conselho –
Make love, not war!
There are always positive things at any age. I am glad you emphasise them. Live the moment.
ResponderExcluirThat is it... Live the moment!
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