SALVE
SÃO SEBASTIÃO e OXOSSI
Pois é, estamos chegando aos 450
anos da Cidade Maravilhosa, a completar no dia primeiro de março, e hoje, 20 de
janeiro, é o Dia de São Sebastião, nosso padroeiro.
Quem conta um conto aumenta um
ponto... O velho e conhecido ditado está presente na história do nosso
Santo. Na verdade, as histórias vão se
modificando por diversas razões, inclusive pelo interesse de que a verdade seja
modificada, a fim de atender a diferentes necessidades, sejam pessoais, de pequenos
grupos, ou daqueles que estão no poder.
A história escrita pelos vencedores.
Pois é, com São Sebastião não
poderia ser diferente. A história mais
conhecida é de que, mesmo sendo cristão, acabou chefe da guarda pretoriana dos
imperadores romanos Maximiano e Diocleciano.
Por ser suave com os prisioneiros católicos, acabou executado por meio
de flechadas. Duro na queda, não morreu
e acabou resgatado, por Irene (que depois também virou santa), do rio onde foi
jogado “morto”. Teimoso e muito corajoso,
apresentou-se novamente ao imperador; só que, dessa vez, não deu sorte.
Novamente considerado traidor, foi espancado até a morte. Bem, essa é a história oficial, construída
através dos tempos, como tudo o que contam por aí. Voltando a falar nas “intervenções”, quando
não são feitas objetivamente para satisfazer necessidades históricas,
religiosas ou pessoais, atendem à imaginação, que vai preenchendo as lacunas
deixadas pela memória ou pela falta de dados reais.
Acabou se tornando nosso padroeiro
por causa de um episódio, também construído através dos tempos, pela imaginação
ou o que seja. Dizem que, em 1567, na batalha dos portugueses contra os
franceses e seus aliados indígenas, inimigos que estavam em maior número, muitos
guerreiros viram um jovem com armadura saltando de canoa em canoa, matando os
invasores. Como Estácio de Sá, que
comandava os portugueses, morreu por ter recebido uma flechada, foi só juntar
uma ponta com a outra, e temos essa é a história de nosso Santo. É reconhecido como protetor dos arqueiros e
prisioneiros, e pode ajudar contra pestes e doenças contagiosas.
Dos Orixás, Oxossi é o que
representa São Sebastião. É o senhor da
caça, rege a fartura e o poder de trazer o alimento para dentro de casa.
Deve estar sempre ocupado, pois dizem
as estatísticas que somos seis milhões e meio de habitantes na Cidade do Rio de
Janeiro! E não somos “santos”, dando muito trabalho ao coitado, que deve ficar
correndo de cá para lá. Fica mais
tranqüilo nesses dias de calor, já que estamos todos concentrados na praia de
Ipanema.
Quais nossos principais
problemas? Nem sei por onde começar.
Violência urbana, transporte público (em alguns lugares falta, em outros, há em
excesso, prejudicando o trânsito), saúde e educação públicas (isso, no Brasil
inteiro)... e outros tantos!
A gente sempre coloca a culpa nos
administradores públicos por todos os problemas. Com toda a imparcialidade que pretendo ter,
grande parte dos problemas é culpa deles mesmo, mas também temos, cada um de
nós, uma razoável parcela de responsabilidade pelas dificuldades que
enfrentamos na cidade.
Fiquei pensando muito nesses
últimos dias, já que vamos comemorar os 450 anos da cidade. Quando atravesso o túnel Rebouças e saio na
Lagoa Rodrigo de Freitas, quase perco a respiração! É de uma beleza incrível. Passear pela Praia de Ipanema e do Leblon no
final da tarde e cair da noite, como diz o anúncio do cartão de crédito, não
tem preço! Poucos lugares do mundo podem
ousar querer se comparar com essa beleza toda.
Mas... mas... é de doer o coração
quando a gente olha para o chão. A
sujeira que deixamos espalhada é tamanha que, em alguns pontos do Centro do Rio, por exemplo, chegamos a sentir um cheiro nada
agradável. E convenhamos, eu vejo
caminhões de lixo da Comlurb atuando.
Mesmo sem ter certeza se em número suficiente, se na freqüência ideal,
mas muita coisa não é culpa da empresa. Será que campanhas educativas, seguidas
de multas aos infratores, não ajudaria?
Mas não quero ficar falando mal,
reclamando, justo hoje, dia do nosso Santo Padroeiro, São Sebastião. Vamos imaginar que estamos no alto do
Corcovado, nesse dia lindo, de céu completamente azul, já que estamos com o ar
muito seco, impedindo a formação de nuvens carregadas... vamos apreciar a
maravilhosa vista que temos lá de cima... mas vamos apenas na imaginação. Se quisermos ir até lá, ao vivo e a cores,
provavelmente a espera na fila do bondinho será, no mínimo, de 2 horas, com uma
sensação térmica de 45 graus.
Mesmo assim, ainda quero ficar por
aqui, curtindo essa beleza inacreditável, torcendo para que, algum dia, as
coisas melhorem. Enquanto isso, vou
rezando para nosso São Sebastião, pedindo que ele nos proteja das pestes que são
os governantes corruptos, administradores públicos incompetentes e
irresponsáveis e políticos daquele tipo que conhecemos bem. Que os afaste de outras pessoas fracas e
influenciáveis, para que não possam transmitir suas “doenças contagiosas”.
Para Oxossi, vou pedir que abençoe
o povo carioca, garantindo seu alimento, mas a preços menores dos que
encontramos atualmente nos restaurantes e lanchonetes.
Enfim, que nos ajudem a acabar com
as trapalhadas dos governantes, a irresponsabilidade dos administradores e que
possamos aprender a respeitar, como cidadãos, as regras básicas de convivência
social.
Salve São Sebastião e Oxossi !
Saravá!
ResponderExcluirQuerida prima, já estava saudoso das suas croniquetas.
Do alto da ladeira Sacopã contemplo a paisagem maravilhosa da Lagoa, cartão postal incomparável.
O Rio continua lindo, pátria desse sincretismo religioso que você tão bem descreveu, onde convivem harmoniosamente igrejas, credos, seitas. Nesse ponto somos um exemplo para o mundo.
Parabéns. Continue dando palpites
Alberto
Muito boa, Anahertz! Já dizia um conhecido que o Rio de Janeiro fica num lugar belíssimo, mas como cidade não anda lá essa beleza toda...
ResponderExcluirabs
Rafael