AINDA FALANDO DAS FAVORITAS
Antes
que eu cometa uma indelicadeza, aviso que foi no livro “Sex with Kings”, da
jornalista Eleanor Herman, que obtive as informações sobre o assunto. Desconfio que ela adora temas polêmicos, pois suas
outras publicações são “Sex with the Queen” e “Mistress of the Vatican”. Questionada
por não escrever ficção, respondeu que suas pesquisas mostraram tanta coisa
interessante na História que pouco restaria para a imaginação. Eu concordo.
Não
era fácil ser a favorita. O primeiro e
grande problema eram as tantas mulheres jovens e bonitas que faziam de tudo
para defenestrar quem estivesse na berlinda.
Como em todos os espaços onde há riqueza, poder, fama e glória, as
cortes eram verdadeiros ninhos de invejosos e traiçoeiros escorpiões. Isso sem falar na raiva que as rainhas tinham
das favoritas! Algumas delas caíram em
desgraça, sabemos, enquanto outras eram substituídas por alguém mais jovem, mas
a maioria riu por último e aproveitou muito tudo o que conseguiu em seus tempos
de “reinado”.
Como
já havia comentado, as favoritas dos reis da Espanha e de Portugal, quando
perdiam a posição, eram enviadas a conventos.
Foi D. João V quem mais abusou dessa história ligada à religião, e
acabou conhecido como “O Freirático”. Escolheu um convento, o de São Dinis, e
trocava de freiras o tempo todo. Escolhia uma, levava e, depois de algum tempo,
devolvia... escolhia uma outra, e tudo recomeçava.
A
francesa Diane de Poitiers mereceria um capítulo exclusivo, mas acabou incluída
aqui mesmo. Suprimi inúmeros detalhes, o
que é uma pena, mas foi a única saída. Mesmo assim, a crônica ficou um pouco longa.
Henri
II apaixonou-se por ela quando ainda era um menino de apenas sete anos! No momento em que, fragilizado, foi entregue
como refém, pelo próprio pai, ao rei de Espanha, o único consolo que recebeu
foi de Diane, na época uma das damas da Corte.
E aquele afetuoso beijo na testa preencheu os sonhos do menino durante
os anos em que permaneceu no cativeiro. Ela era dezenove anos mais velha!
Linda
e com muitas qualidades, tornou-se uma verdadeira “femme fatale” na corte
francesa no século XVI. Enquanto isso, o
rei, com apenas quatorze anos, casou-se, por razões políticas e econômicas, com
a italiana Catarina de Médicis, muito inteligente, porém pouco dotada na
aparência. A jovem não conseguiu despertar o interesse do marido que aos
dezessete anos, finalmente, conseguiu que Diane caísse em seus braços. Aí mesmo que Catarina foi, de vez, para o
espaço. E para completar a tragédia
romântica, como seu marido era um homem atraente, ela se apaixonou perdidamente
por ele desde o primeiro dia. Ficava a
ver navios, e nos primeiros 10 anos não engravidou nem uma vez, um perigo para
a sucessão. A favorita precisou dar uma
“ajudinha” para que o rei cumprisse suas obrigações e, finalmente, Catarina
colocou no mundo os herdeiros do trono.
A
beleza de Diane era muito trabalhada. Na
falta de academias de ginástica, diariamente cavalgava por 3 horas, fazia
outros tantos exercícios ao ar livre e seguia uma dieta espartana. E tinha mais
dois segredos. O primeiro, que acabou
lhe tirando a vida aos 66 anos, era beber, todo dia, um copo de água misturada
com ouro. Um hábito caro... E aqui vai,
para quem se interessar, a receita do outro segredo, o creme especial que usava
para manter a pele aveludada: pepino, melão, nenúfar, flor-de-lis, fava, carne moída
de pombo (???), açúcar, cânfora, manteiga, miolo de pão e vinho branco. Pois é, acho mais fácil comprar um creme pronto,
mas receio que o resultado não seja tão bom.
Muito
inteligente, foi nomeada membro do Conselho da França, criou novas leis e vários
impostos, e chegou mesmo a assinar decretos oficiais junto com o rei que, eternamente
apaixonado, havia estabelecido para eles uma assinatura conjunta –
HenriDiane. Vejam o poder da madame!
Porém,
a Rainha Catarina, de certa forma, vingou-se.
Quando o marido foi mortalmente ferido em um dos inúmeros festejos da Corte,
não permitiu que Diane se aproximasse dele em seus momentos finais. E não parou por aí. Além de pegar várias jóias que a favorita
usava, expulsou-a do lindo castelo de Chenonceau, presente do amado. Em compensação, Diane teve uma vida tranqüila
até morrer, enquanto a “rainha bruxa”, como era conhecida a rancorosa italiana,
comeu o pão que o diabo amassou, vivenciando um longo histórico de traições,
batalhas, violência e conspirações.
Outra
favorita famosa foi Madame de Pompadour, que até hoje alimenta a imaginação de
muita gente. Louis XV a nomeou
“maîtresse-en-titre” em 1745, e ela só perdeu a posição quando faleceu. Mulher bonita, gentil e brilhante, exerceu
enorme influência na França por quase vinte anos. O mais interessante é que não eram favores
sexuais que uniam Pompadour e o rei; por longos 14 anos, foram apenas grandes
amigos. Diziam que ela não era muito
chegada ao esporte amoroso, e que chegou a tentar dietas afrodisíacas, com
trufas e baunilha (???). Porém, nada
adiantou e ambos desistiram desse lado da relação, fortalecendo, entretanto, os
outros laços que os uniam.
Em
um período em que o reino ia mal das pernas nas finanças, Pompadour entregou
parte de seus bens para que a França pudesse se reerguer. Investiu na indústria, estimulou as artes em
geral e, acreditem, comandou o Exército durante a Guerra dos Sete Anos. Foi dela o projeto da famosa Place de La
Concorde.
Sagaz,
percebeu que as coisas não iam bem e que a tormenta se aproximava. Sua famosa frase “Après nous le déluge” foi
adaptada por Louis XV para advertir o filho, o futuro Louis XVI – “Après moi,
le déluge”. Alguns anos depois, tivemos
a Revolução Francesa, com a guilhotina cuidando das cabeças reais.
Mas
também houve casos, e não foram poucos, em que não havia favoritas, e sim
favoritos. Ficou famoso o caso do irmão
de Louis XIV, cujo favorito, enciumado, envenenou a primeira mulher do Duque,
que era belíssima. Como era necessário
manter as aparências, casaram-no novamente, só que escolheram uma noiva bem
feia, com maiores chances de sobrevivência.
Com
os novos tempos, as favoritas foram perdendo o poder. Tudo ficou bem mais discreto, embora algumas exceções
confirmem a regra. Edward VII, na
Inglaterra, visitava suas “prediletas” no chá das 5, enquanto os maridos delas
trabalhavam ou visitam suas próprias amantes.
Nenhum deles se atrevia a voltar para casa em horário
inconveniente. E Edward VIII,
apaixonadíssimo pela amante, a não menos famosa Wallis Simpson, preferiu
abdicar do trono a perder seu grande amor.
Seria demais para a família real e para o povo inglês ter um rei casado
com uma plebéia americana, duas vezes divorciada. Na verdade, ele era solteiro, e não traiu
nenhuma rainha, mas incluí por ser uma história interessante.
Para
fechar o assunto, bom mesmo é falar no famoso triângulo Charles – Diana –
Camilla. Na verdade, desde o início de
namoro dele com a jovem plebéia, era fácil ver que o príncipe não nutria por
ela maiores sentimentos. Há quem diga
que foi a própria Camilla quem sugeriu que ele se casasse com aquela boa moça.
Os
fofoqueiros dizem que Camilla, quando era jovem, adorava ouvir sua bisavó
repetir que o trabalho dela havia sido seduzir e depois “jump into bed”. Essa bisavó era ninguém menos do que a última
amante de Edward VII. Embora nenhuma das
duas apresentasse sinais de beleza, a personalidade e a inteligência de ambas
atraíam as pessoas. Parece que estava no
sangue da família essa habilidade de se tornar favorita.
Charles
e Camilla namoraram quando jovens, mas ela não se mostrou interessada em viver
prisioneira do Palácio de Buckingham; para desespero do príncipe, casou com
outro. Contam os fofoqueiros que ele chorou muito quando, voltando de um
exercício naval, soube de tudo. E quando o casamento dele deteriorou, voltaram
a ser amantes. Um segurança real contou
que, perto do casamento, ele teria afirmado que iria cometer um enorme erro ao
se casar com Lady Di.
Apesar
de seus dezenove anos, a noiva não era nada boba. Logo percebeu que havia algo no ar entre
Camilla e Charles. Decidiu cortar o
nome dela da lista de algumas festas comemorativas do enlace, e quase desmarcou
o casamento quando descobriu, uns poucos dias antes, que seu noivo havia
comprado uma linda pulseira para dar à outra. Se tivesse sabido que, na noite anterior à
cerimônia do século, ele deitou e rolou com a rival, numa espécie de despedida,
certamente teria cancelado tudo.
As
dificuldades começaram na lua de mel.
Fotos de Camilla na agenda do marido foram o estopim para o primeiro dos
inúmeros e violentos ataques de raiva de Diana. Em pouco tempo, ela percebeu
que o que ligava seu marido à amante era algo que a outra tinha e ela não, sem
qualquer relação com a beleza física. Uma luta inglória... e mesmo tendo tido
inúmeros casos extraconjugais, a ferida emocional que carregava jamais se
fechou.
Charles
também pagou caro por seu “affair”.
Quando o mundo inteiro ouviu a gravação da conversa telefônica dos
amantes com aquela história do Tampax, chegou a pensar em renunciar à sucessão
e deixar o país. E se afastou de
Camilla, cuja posição tampouco era das mais agradáveis. As favoritas dos reis não estavam mais na
moda, e tudo era mais complicado ainda por ser Diana admirada pelo mundo afora
e adorada pelos súditos ingleses.
Durou
pouco o afastamento. Ele não podia viver
sem ela, e continuaram com o “affair”. Quando ficou viúvo, mesmo contra a
vontade de muitos, casou-se com Camilla. E verdade seja dita – maquiadores e
cabeleireiros deram um jeito na aparência desajeitada dela, e com as sugestões
de bons costureiros, tornou-se uma mulher elegante. Bonita, nunca.
Em
2014, correu o boato de que Camilla teria dado início ao processo de divórcio,
pedindo uma indenização bem alta para que mantivesse silêncio sobre tudo o que sempre
soube. Como nada foi confirmado até
agora, devem ter sido apenas fofocas da oposição.
A
crônica ficou longa, mas fazer uma terceira sobre as favoritas dos reis seria
demais. Para variar um pouquinho,
qualquer hora dessas, vou trazer algumas histórias com OS FAVORITOS das rainhas.
Very interesting life and dangerous. I am quite glad not to have lived in those times and not being part of the aristocracy. Of course there was no media like today. Enjoy reading it.
ResponderExcluirIt is true.. Life is not easy, anyway.
ExcluirNunca li tanto babado forte de uma só vez. Perto destas fofocas, os casos e traições do nosso society e dos famosos sonrisal da TV (em pouco tempo desaparece) são muito mixurucas. E a França continua honrando a tradição dos sucessivos Luizes......Vive Hollande, Mitterand.....
ResponderExcluirMuito legal o que escreveu, pelos "causos" e estilo.
Realmente, as pessoas públicas dão motivos de sobra para fofocas...
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