terça-feira, 4 de julho de 2017

ALGUNS BICHOS, EU DISPENSO
Julho de 2017

                        Sempre detestei acampar, não vou mais à praia, nunca me convide para ir ao Pantanal ou à Floresta Amazônica... Por outro lado, declaro meu infinito amor pela Natureza e procuro ter uma vida sustentável, como manda o figurino.  Para compensar a distância do verde, escolho documentários que mostram tanto a beleza desse planeta, como também os que nos advertem que estamos destruindo tudo em volta.   O “Extermínio do Marfim” traz notícia dos elefantes.   Como não os temos por aqui, confesso que não sabia que o comércio ilegal de suas presas está levando a espécie à extinção.  Dizem que, dentro de poucos anos, não teremos mais nenhum vivo.  As projeções vão de quinze a cinquenta anos.  De 2011 a 2016, foram mortos cerca de cento e cinqüenta mil elefantes.  Hoje, restam apenas quinhentos mil na África inteira; no início do século XX, eram dez milhões.  Como não há predadores naturais, seremos os únicos responsáveis.

                        A pobreza nos países africanos contribui para essa matança.   Cada presa pesa, em média, quinze quilos, e um nativo consegue vender o quilo a sete dólares para os atravessadores.   Se considerarmos trinta quilos por cada animal abatido, esse caçador consegue algo em torno de duzentos e dez dólares.  Em países miseráveis, é uma atividade muito rentável e, falando francamente, a salvação para muitas famílias.  Fica difícil coibir e controlar.   Logo depois, o atravessador leva esse marfim para a China, onde o comércio ainda é legalizado, e consegue obter, por quilo, cerca de dois mil e quinhentos dólares.  Assustador.  

                        Embora a legislação chinesa estabeleça a cota anual em cinco toneladas para serem distribuídas às oficinas registradas que produzem objetos de marfim, o comércio ilegal movimenta centenas de toneladas.  Políticos de alto escalão, agentes da alfândega e da polícia estão envolvidos.  O governo começou a tratar do problema, certo de que não fica bem para a imagem do país a responsabilidade por tudo isso. Só nos resta torcer.

                        Impressionantes os preços dos tais objetos.  Uma espada feita com uma presa de 15 quilos chega a ser vendida a 200 mil dólares.  Outra, pintada com motivos chineses, pode valer 330 mil dólares!  É um comércio tão lucrativo e sangrento quanto o do tráfico de drogas.  Além dos elefantes, morrem muitos agentes fiscalizadores e policiais, como também vários traficantes eliminados pela concorrência; enfim, o homem é o lobo do homem e das demais espécies.

                        Falando de coisas bonitas - os elefantes são muito sensíveis.   Quando encontram a carcaça de outro elefante, procuram juntar os pedaços, em sinal de respeito;  ficam juntos,  passando a tromba carinhosamente...  E se um do próprio grupo morre, fazem a mesma coisa; o parente mais próximo desse morto caminha solitário durante alguns dias, um pouco mais atrás dos outros, em sinal de luto.  Cuidam de cada membro que esteja frágil, respeitam os filhotes, e o melhor - os grupos, com trinta indivíduos em média, são geralmente comandados pela fêmea mais velha!  É a chefe da manada!  Assim, comprovam a inteligência que os especialistas atribuem a esses animais. 

                        Não me lembrava de que apenas os machos dos elefantes indianos possuem presas.  Não sei se podemos acreditar, mas ouvi relatos de que alguns deles reconheceram caçadores que tentaram matá-los muitos anos antes.   Os entendidos afirmam que, enquanto os africanos são perigosos, os indianos são dóceis, obedientes e bem mais inteligentes.   São essas qualidades que os tornam “apropriados” para exibição pública, nos circos.  Atualmente, no continente asiático, vivem entre vinte e oito mil e quarenta e dois mil exemplares.  Triste saber que, desde o início do século XX, a população encolheu noventa e sete por cento!  Seus únicos predadores são os tigres, que raramente atacam elefantes adultos.  Ou seja... somos nós os monstros.

                        Enfim, vários países africanos se esforçam para coibir essa matança.  Mas ainda há muito trabalho a fazer.  Esperamos que ainda haja esperança, pois não gostaria que os netos dos meus netos só os vissem em livros.    Se pensarmos como é possível que o ser humano seja tão insensível a ponto de matar por dinheiro, acabamos vendo que, desde sempre, homens são capazes das coisas mais sublimes, enquanto outros fazem coisas abomináveis.   E achei menos difícil falar sobre o homem como matador de animais do que como assassino de outros seres humanos.   Menos difícil, mas nunca é fácil. 

                        Uma amiga ficou sem entender a razão de meu interesse repentino por elefantes.  Duas são as razões.  A primeira, por ter sido o animal cuja extinção era o tema do documentário que escolhi, dentre tantos outros sobre a Natureza.  Decidi, então, que esse animal representaria todos os outros que estão sofrendo com nossas ações! 

                        A segunda razão - um santuário de elefantes que estão preparando na Chapada dos Guimarães.  A iniciativa é de uma instituição que se preocupa em oferecer um refúgio que possa restaurar e/ou manter a saúde e o bem estar dos elefantes cativos da América do Sul.  Os especialistas procuram reconhecer, entender e explicar plenamente a história “pessoal” de cada um dos elefantes e suas necessidades individuais.  Assim, os animais poderão ser ajudados a alcançar seu potencial total para levar uma vida natural, preservando as interações sociais positivas entre os de sua espécie. Em tempo – não será aberto à visitação pública. 

                        Vamos falar um pouco sobre os cães  Contato direto com eles, apenas quando já tinha meus filhos.  Foi quando comecei a me encantar com eles, e agora confesso que poderia escrever várias crônicas para dizer o quanto gosto deles agora.   Assim, vou terminar essa dos elefantes com a história de uma cadelinha especial.  Confesso que me surpreendi ao saber que há mais animais de estimação do que crianças até 14 anos nos lares brasileiros.  E mais - encontraram registros de cães convivendo com nossos índios há mais ou menos 1.700 anos.   Na verdade, há registros dos humanos em outras partes do mundo começando a domesticar cães há mais ou menos 32 mil anos, inclusive com o cruzamento de raças para criação de novos cães! Ou seja, eles estão conosco desde sempre!  E nós nos metendo na evolução das espécies desde sempre.

                        Cléo, de três anos, digna representante dos “vira-latas”, foi adotada por Jade, minha neta, quando já tinha mais de um ano.    Logo se viu que trazia lembranças bem difíceis; era arredia, assustada, com medo de sair de casa, pavor das pessoas desconhecidas, e tremia muito quando se deparava com essas situações.  Por sorte, uma veterinária, após o diagnóstico de síndrome do pânico, receitou PROZAC!  É outra “pessoa” agora, muito mais sociável, alegre.  Sofrem como nós!  E tomam os mesmos remédios!

                        Outra descoberta interessante: os macacos apresentam o DNA apenas com 1% de diferença do nosso.  Quase a mesma coisa...  Estou certa que eles, como nós, são felizes em seus amores, sofrem com suas dores, dentro de outras medidas, é claro, mas com muito sentimento. Gosto deles.  Agora, em se tratando de baratas e cupins... esses, eu dispenso! Não me preocupo com o sentimento deles. E afirmo, mesmo sob o risco de ser apedrejada, que não vou levantar bandeiras para salvá-los. Um dos meus maiores pecados é ser parcial! Politicamente incorreta, sem dúvida...     

                        Como nos últimos tempos as conversas envolvem sempre algo relacionado aos maus políticos, aproveito para confirmar que igualmente dispenso uns tantos exemplares dessa espécie animal.  Precisaríamos interferir no DNA deles, pois estão corrompidos, e a diferença entre o DNA do cidadão honesto e o de um político “defeituoso” já passa de 90%.  Por isso, sinto-me mais próxima dos chimpanzés!  Provavelmente, vocês também se sentem assim.
                        

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