ALGUNS BICHOS, EU
DISPENSO
Julho de 2017
Sempre
detestei acampar, não vou mais à praia, nunca me convide para ir ao Pantanal ou
à Floresta Amazônica... Por outro lado, declaro meu infinito amor pela Natureza
e procuro ter uma vida sustentável, como manda o figurino. Para compensar a distância do verde, escolho
documentários que mostram tanto a beleza desse planeta, como também os que nos advertem
que estamos destruindo tudo em volta. O “Extermínio do Marfim” traz notícia dos
elefantes. Como não os temos por aqui,
confesso que não sabia que o comércio ilegal de suas presas está levando a
espécie à extinção. Dizem que, dentro de
poucos anos, não teremos mais nenhum vivo.
As projeções vão de quinze a cinquenta anos. De 2011 a 2016, foram mortos cerca de cento e
cinqüenta mil elefantes. Hoje, restam
apenas quinhentos mil na África inteira; no início do século XX, eram dez
milhões. Como não há predadores
naturais, seremos os únicos responsáveis.
A
pobreza nos países africanos contribui para essa matança. Cada presa pesa, em média, quinze quilos, e
um nativo consegue vender o quilo a sete dólares para os atravessadores. Se considerarmos trinta quilos por cada
animal abatido, esse caçador consegue algo em torno de duzentos e dez
dólares. Em países miseráveis, é uma
atividade muito rentável e, falando francamente, a salvação para muitas
famílias. Fica difícil coibir e
controlar. Logo depois, o atravessador
leva esse marfim para a China, onde o comércio ainda é legalizado, e consegue
obter, por quilo, cerca de dois mil e quinhentos dólares. Assustador.
Embora
a legislação chinesa estabeleça a cota anual em cinco toneladas para serem
distribuídas às oficinas registradas que produzem objetos de marfim, o comércio
ilegal movimenta centenas de toneladas. Políticos
de alto escalão, agentes da alfândega e da polícia estão envolvidos. O governo começou a tratar do problema, certo
de que não fica bem para a imagem do país a responsabilidade por tudo isso. Só
nos resta torcer.
Impressionantes
os preços dos tais objetos. Uma espada
feita com uma presa de 15 quilos chega a ser vendida a 200 mil dólares. Outra, pintada com motivos chineses, pode
valer 330 mil dólares! É um comércio tão
lucrativo e sangrento quanto o do tráfico de drogas. Além dos elefantes, morrem muitos agentes
fiscalizadores e policiais, como também vários traficantes eliminados pela
concorrência; enfim, o homem é o lobo do homem e das demais espécies.
Falando
de coisas bonitas - os elefantes são muito sensíveis. Quando encontram a carcaça de outro
elefante, procuram juntar os pedaços, em sinal de respeito; ficam juntos,
passando a tromba carinhosamente...
E se um do próprio grupo morre, fazem a mesma coisa; o parente mais
próximo desse morto caminha solitário durante alguns dias, um pouco mais atrás dos
outros, em sinal de luto. Cuidam de cada
membro que esteja frágil, respeitam os filhotes, e o melhor - os grupos, com trinta
indivíduos em média, são geralmente comandados pela fêmea mais velha! É a chefe da manada! Assim, comprovam a inteligência que os
especialistas atribuem a esses animais.
Não
me lembrava de que apenas os machos dos elefantes indianos possuem presas. Não sei se podemos acreditar, mas ouvi
relatos de que alguns deles reconheceram caçadores que tentaram matá-los muitos
anos antes. Os entendidos afirmam que,
enquanto os africanos são perigosos, os indianos são dóceis, obedientes e bem mais
inteligentes. São essas qualidades que os
tornam “apropriados” para exibição pública, nos circos. Atualmente, no continente asiático, vivem entre
vinte e oito mil e quarenta e dois mil exemplares. Triste saber que, desde o início do século
XX, a população encolheu noventa e sete por cento! Seus únicos predadores são os tigres, que
raramente atacam elefantes adultos. Ou
seja... somos nós os monstros.
Enfim,
vários países africanos se esforçam para coibir essa matança. Mas ainda há muito trabalho a fazer. Esperamos que ainda haja esperança, pois não
gostaria que os netos dos meus netos só os vissem em livros. Se pensarmos como é possível que o ser
humano seja tão insensível a ponto de matar por dinheiro, acabamos vendo que,
desde sempre, homens são capazes das coisas mais sublimes, enquanto outros
fazem coisas abomináveis. E achei menos
difícil falar sobre o homem como matador de animais do que como assassino de
outros seres humanos. Menos difícil,
mas nunca é fácil.
Uma
amiga ficou sem entender a razão de meu interesse repentino por elefantes. Duas são as razões. A primeira, por ter sido o animal cuja
extinção era o tema do documentário que escolhi, dentre tantos outros sobre a
Natureza. Decidi, então, que esse animal
representaria todos os outros que estão sofrendo com nossas ações!
A
segunda razão - um santuário de elefantes que estão preparando na Chapada dos
Guimarães. A iniciativa é de uma
instituição que se preocupa em oferecer um refúgio que possa restaurar e/ou
manter a saúde e o bem estar dos elefantes cativos da América do Sul. Os especialistas procuram reconhecer,
entender e explicar plenamente a história “pessoal” de cada um dos elefantes e
suas necessidades individuais. Assim, os
animais poderão ser ajudados a alcançar seu potencial total para levar uma vida
natural, preservando as interações sociais positivas entre os de sua espécie.
Em tempo – não será aberto à visitação pública.
Vamos
falar um pouco sobre os cães Contato
direto com eles, apenas quando já tinha meus filhos. Foi quando comecei a me encantar com eles, e
agora confesso que poderia escrever várias crônicas para dizer o quanto gosto
deles agora. Assim, vou terminar essa
dos elefantes com a história de uma cadelinha especial. Confesso que me surpreendi ao saber que há
mais animais de estimação do que crianças até 14 anos nos lares brasileiros. E mais - encontraram registros de cães convivendo
com nossos índios há mais ou menos 1.700 anos. Na
verdade, há registros dos humanos em outras partes do mundo começando a
domesticar cães há mais ou menos 32 mil anos, inclusive com o cruzamento de
raças para criação de novos cães! Ou seja, eles estão conosco desde sempre! E nós nos metendo na evolução das espécies
desde sempre.
Cléo,
de três anos, digna representante dos “vira-latas”, foi adotada por Jade, minha
neta, quando já tinha mais de um ano. Logo se
viu que trazia lembranças bem difíceis; era arredia, assustada, com medo de
sair de casa, pavor das pessoas desconhecidas, e tremia muito quando se
deparava com essas situações. Por sorte,
uma veterinária, após o diagnóstico de síndrome do pânico, receitou
PROZAC! É outra “pessoa” agora, muito
mais sociável, alegre. Sofrem como
nós! E tomam os mesmos remédios!
Outra
descoberta interessante: os macacos apresentam o DNA apenas com 1% de diferença
do nosso. Quase a mesma coisa... Estou certa que eles, como nós, são felizes em
seus amores, sofrem com suas dores, dentro de outras medidas, é claro, mas com muito
sentimento. Gosto deles. Agora, em se
tratando de baratas e cupins... esses, eu dispenso! Não me preocupo com o
sentimento deles. E afirmo, mesmo sob o risco de ser apedrejada, que não vou
levantar bandeiras para salvá-los. Um dos meus maiores pecados é ser parcial!
Politicamente incorreta, sem dúvida...
Como
nos últimos tempos as conversas envolvem sempre algo relacionado aos maus políticos,
aproveito para confirmar que igualmente dispenso uns tantos exemplares dessa
espécie animal. Precisaríamos interferir
no DNA deles, pois estão corrompidos, e a diferença entre o DNA do cidadão
honesto e o de um político “defeituoso” já passa de 90%. Por isso, sinto-me mais próxima dos
chimpanzés! Provavelmente, vocês também
se sentem assim.
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