sexta-feira, 3 de março de 2017

POR ISSO, NÃO PROVOQUE... É COR DE ROSA-CHOQUE

Março de 2017
Rita Lee já cantava: “nas duas faces de Eva, a bela e a fera, um certo sorriso de quem nada quer... sexo frágil, não foge à luta, e nem só de cama vive a mulher”.  Somos, realmente, um bicho esquisito.   A gente é assim... e é assado, reagindo de acordo com as circunstâncias, claro.  Camaleoas, como diria Caetano: “Rapte-me, camaleoa!” Mas é bom esclarecer - quando a gente gosta, gosta - nossos pequenos grandes amores!  Uma contradição? Pequenos grandes?  Pois é... mesmos os pequenos são, pra nós, grandes.  E Ivan Lins chega e canta: “até a lua se arrisca num palpite, que o nosso amor existe, forte ou fraco, alegre ou triste”.
 Somos “cantadas” em todas as línguas, e somos “mostradas” com todos os nossos jeitinhos.  Será que as dos outros países são muito diferentes de nós? A Roberta do Pepino di Capri é uma incógnita.  Depois que fez a besteira, ele me sai com essa: “Roberta, perdonami, ritorna ancor, ti prego”. Será que eles são todos iguais?  Até hoje, não sei se ela voltou ou não.  Já a Michelle parece que está entendendo o que os Beatles querem dizer: “I Love, I love you,I love you, that’s all I want to say.” Também, quem não gosta de ouvir isso?   
 Muitos homens brasileiros adoram o nosso lado brejeiro, como Max Nunes e Laércio Alves, que avisam logo que “A rua se enche de gente,quando ela chega à janela, com seu cheirinho de cravo, com seu sabor de canela.” Fácil de adivinhar – é Gabriela, aquela da história de Jorge Amado, cantada em prosa e verso, em novelas, em filmes...
 Agora, mudando de assunto, o que pode acontecer é que algumas vezes, a gente não percebe logo o que está rolando.  Por isso, não é novidade quando Chico Buarque nos diz que: “lá fora, uma rosa morreu, uma festa acabou, nosso barco partiu, e eu bem que mostrei a ela, o tempo passou na janela, só Carolina não viu.”  Por outro lado, Carolina pode estar só disfarçando... quer ganhar tempo para dar o pulo do gato.   Somos difíceis de traduzir, não?
O que percebi é que tem homenagem a mulheres de A a Z.  Roberto Carlos até se lembrou das inúmeras xarás que tenho pelo mundo.  E saiu com essa: ”Ana, eu me lembro com saudade do nosso tempo, nosso amor, nossa alegria.  Agora só te vejo nos meus sonhos, e minha vida é tão vazia. Oh, Ana, que saudades de você.”  Ele agora parece triste, mas  pode ser que  também essa Ana tenha partido por culpa dele mesmo... o     que se passa entre quatro paredes, a gente não pode supor.
Dorival Caymmi era mais um que sabia cantar a mulher. E Dora resplandeceu naquele dia que ele a viu no Carnaval do Recife, fazendo-o esquecer, por um momento, o que é que a baiana tem: Ô Dora, rainha do frevo e do Maracatú, ninguém requebra, nem dança melhor do que tu! Pois é, sair requebrando é uma das nossas melhores armas.  Desculpe-me, Caymmi... a Dora pode dançar melhor do que todo mundo, mas ninguém requebra - quando desfila - melhor do que a Gisele Bündchen.
Nós, mulheres, não gostávamos muito da provocação do Ataulfo Alves, cúmplice do Mário Lago, nos enfiando pela goela abaixo a tal mulher devotada: ”Ai,meu Deus, que saudades da Amélia,aquilo sim é que era mulher. Às vezes passava fome ao meu lado, e achava bonito não ter o que comer. E quando me via contrariado, dizia: Meu filho, o que se há de fazer?  Amélia não tinha a menor vaidade, Amélia é que era mulher de verdade“  Queriam provocar mesmo, pois os homens bem que adoram quando exercemos nossa vaidade, andando por aí cheias de charme.     
Para compensar, temos Helena, Helena, Helena. As que ganharam esse nome não são somente lembradas nas novelas de Manoel Carlos.  Alberto Land com Taiguara, que tinha uma voz maravilhosa, cantaram que algumas podem ser bem diferentes da Amélia: “Dar seu corpo custa nada, e com ar de apaixonada, em suas rodas elevadas, seu destino assegurou... talvez um dia, por desejo de poesia, Helena, Helena, Helena, talvez queira dar a mão, talvez tão tarde, até em vão”.  Mais dúvidas.
Maria Chiquinha era outra que não gostava muito da Amélia do Ataulfo e do Mário.  Guilherme Figueiredo e Geysa Boscoli contaram o que aconteceu.  O Genaro acabou fazendo bobagem quando viu que não agüentava a “dor” na cabeça. Ele queria apenas uma resposta razoável, mas ela não conseguiu enganar: “Quê que ocê foi fazê lá no mato, Maria Chiquinha? Quê que ocê foi fazê lá no mato? – Eu precisava cortá lenha, Genaro, meu bem...”.  Na música, fica engraçado, mas na vida real, a violência contra a mulher parece não ter fim e é uma vergonha.
Quando pensei em escrever essa crônica, lembrei-me de que o filme La La Land está agradando muito, trazendo detalhes de alguns dos melhores musicais de Hollywood.  No meu caso, o difícil foi escolher quais as letras que deveria trazer, encantada com as mais belas construções poéticas.  Senti muito não poder colocar todas. 
Depois de tanta poesia, chega-se à conclusão - nós somos mesmo bicho estranho, com Rita Lee alertando: "Mulher é bicho esquisito, todo o mês sangra...Um sexto sentido maior que a razão (...) POR ISSO NÃO PROVOQUE, é cor de rosa choque!" 
Provocando um pouquinho os homens, dou meus parabéns somente para o lado rosa choque do mundo - Viva o Dia Internacional da Mulher!  E finalizo com uma das belas canções sobre as Marias, dos geniais Milton Nascimento e Fernando Brant:

Mas é preciso ter força, é preciso ter raça,

É preciso ter gana sempre,

Quem traz no corpo uma marca,

Maria, Maria mistura dor e alegria,

Mas, é preciso ter manha,

É preciso ter graça,

É preciso ter sonho sempre,

Quem traz na pele essa marca,

Possui a estranha mania de ter fé na vida!

   

9 comentários:

  1. I loved it. Such a good idea celebrating the international woman's day with the lyrics of songs in our honour. I was pleased to see my name mentioned at the end, Maria and with such a good comment to my name. Thanks for writing it and share with us.

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  2. Respostas
    1. As músicas são muito interessantes... falam das diversas mulheres que podem coexistir em nossas almas.

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  3. Ana querida, gostei muito de sua crônica! Dia 8 de março vou compartilhar. Obrigada.

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  4. Oi Ana, parabéns pela crônica alegre, inteligente e bem humorada.
    Você é alto astral!

    Um beijo carinhoso,
    Ângela

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  5. Somos “cantadas” em todas as línguas, e somos “mostradas” com todos os nossos jeitinhos. Sim, Ana, embora ainda muito de opressão e de machismo somos admiradas e reconhecidas também por nossa capacidade de preservação da ternura diante dos desafios.

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