POR ISSO, NÃO PROVOQUE... É COR DE ROSA-CHOQUE
Março de 2017
Rita Lee já cantava: “nas duas faces de Eva, a bela e a fera, um certo sorriso de quem nada
quer... sexo frágil, não foge à luta, e nem só de cama vive a mulher”. Somos, realmente, um bicho esquisito. A gente é assim... e é assado, reagindo de
acordo com as circunstâncias, claro.
Camaleoas, como diria Caetano: “Rapte-me,
camaleoa!” Mas é bom esclarecer - quando a gente gosta, gosta - nossos
pequenos grandes amores! Uma contradição?
Pequenos grandes? Pois é... mesmos os
pequenos são, pra nós, grandes. E Ivan
Lins chega e canta: “até a lua se arrisca num
palpite, que o nosso amor existe, forte ou fraco, alegre ou triste”.
Somos “cantadas” em todas as
línguas, e somos “mostradas” com todos os nossos jeitinhos. Será que as dos outros países são muito
diferentes de nós? A Roberta do Pepino di Capri é uma incógnita. Depois que fez a besteira, ele me sai com
essa: “Roberta, perdonami, ritorna ancor, ti prego”. Será que eles são
todos iguais? Até hoje, não
sei se ela voltou ou não. Já a Michelle
parece que está entendendo o que os Beatles querem dizer: “I Love, I love
you,I love you, that’s all I want to say.” Também, quem não gosta de ouvir
isso?
Muitos homens brasileiros
adoram o nosso lado brejeiro, como Max Nunes e Laércio Alves, que avisam logo
que “A rua se enche de gente,quando ela chega à janela, com
seu cheirinho de cravo, com seu sabor de canela.” Fácil de adivinhar – é Gabriela, aquela da
história de Jorge Amado, cantada em prosa e verso, em novelas, em filmes...
Agora, mudando de assunto, o que pode acontecer é que
algumas vezes, a gente não percebe logo o que está rolando. Por isso, não é novidade quando Chico Buarque
nos diz que: “lá fora, uma rosa morreu,
uma festa acabou, nosso barco partiu, e eu bem que mostrei a ela, o tempo
passou na janela, só Carolina não viu.”
Por outro lado, Carolina pode estar só disfarçando... quer ganhar tempo para
dar o pulo do gato. Somos difíceis de
traduzir, não?
O que percebi é que tem homenagem a mulheres de A a Z. Roberto Carlos até se lembrou das inúmeras
xarás que tenho pelo mundo. E saiu com
essa: ”Ana, eu me lembro com saudade do nosso tempo, nosso amor, nossa
alegria. Agora só te vejo nos meus
sonhos, e minha vida é tão vazia. Oh, Ana, que saudades de você.” Ele agora parece triste, mas pode ser que também essa Ana tenha partido por culpa dele
mesmo... o que se passa entre quatro
paredes, a gente não pode supor.
Dorival Caymmi era mais um que sabia cantar a mulher. E Dora resplandeceu
naquele dia que ele a viu no Carnaval do Recife, fazendo-o esquecer, por um
momento, o que é que a baiana tem: Ô Dora, rainha do frevo e do Maracatú,
ninguém requebra, nem dança melhor do que tu! Pois é, sair requebrando é
uma das nossas melhores armas.
Desculpe-me, Caymmi... a Dora pode dançar melhor do que todo mundo, mas
ninguém requebra - quando desfila - melhor do que a Gisele Bündchen.
Nós, mulheres, não gostávamos muito da provocação do Ataulfo Alves,
cúmplice do Mário Lago, nos enfiando pela goela abaixo a tal mulher devotada: ”Ai,meu
Deus, que saudades da Amélia,aquilo sim é que era mulher. Às vezes passava fome
ao meu lado, e achava bonito não ter o que comer. E quando me via contrariado,
dizia: Meu filho, o que se há de fazer?
Amélia não tinha a menor vaidade, Amélia é que era mulher de
verdade“ Queriam provocar mesmo,
pois os homens bem que adoram quando exercemos nossa vaidade, andando por aí
cheias de charme.
Para compensar, temos Helena, Helena, Helena. As que ganharam esse nome
não são somente lembradas nas novelas de Manoel Carlos. Alberto Land com Taiguara, que tinha
uma voz maravilhosa, cantaram que algumas podem ser bem diferentes da Amélia: “Dar
seu corpo custa nada, e com ar de apaixonada, em suas rodas elevadas, seu
destino assegurou... talvez um dia, por desejo de poesia, Helena, Helena, Helena,
talvez queira dar a mão, talvez tão tarde, até em vão”. Mais dúvidas.
Maria Chiquinha era outra que não gostava muito da Amélia do Ataulfo e do
Mário. Guilherme Figueiredo e Geysa
Boscoli contaram o que aconteceu. O
Genaro acabou fazendo bobagem quando viu que não agüentava a “dor” na cabeça.
Ele queria apenas uma resposta razoável, mas ela não conseguiu enganar: “Quê
que ocê foi fazê lá no mato, Maria Chiquinha? Quê que ocê foi fazê lá no mato?
– Eu precisava cortá lenha, Genaro, meu bem...”. Na música, fica engraçado, mas na vida real,
a violência contra a mulher parece não ter fim e é uma vergonha.
Quando pensei em escrever essa
crônica, lembrei-me de que o filme La La Land está agradando muito, trazendo detalhes
de alguns dos melhores musicais de Hollywood.
No meu caso, o difícil foi escolher quais as letras que deveria trazer, encantada
com as mais belas construções poéticas. Senti
muito não poder colocar todas.
Depois de tanta poesia, chega-se à
conclusão - nós somos mesmo bicho estranho, com Rita Lee alertando: "Mulher é bicho esquisito, todo o mês
sangra...Um sexto sentido maior que a razão (...) POR ISSO NÃO PROVOQUE, é cor
de rosa choque!"
Provocando um pouquinho os homens, dou meus parabéns
somente para o lado rosa choque do mundo - Viva
o Dia Internacional da Mulher! E
finalizo com uma das belas canções sobre as Marias, dos geniais Milton
Nascimento e Fernando Brant:
|
Mas é preciso ter força, é preciso ter raça,
|
|
É preciso ter gana sempre,
|
|
Quem traz no corpo uma marca,
|
|
Maria, Maria mistura dor e alegria,
|
|
Mas, é preciso ter manha,
|
|
É
preciso ter graça,
|
|
É preciso ter sonho sempre,
|
|
Quem traz na pele essa marca,
|
|
Possui a estranha mania de ter fé na vida!
|
I loved it. Such a good idea celebrating the international woman's day with the lyrics of songs in our honour. I was pleased to see my name mentioned at the end, Maria and with such a good comment to my name. Thanks for writing it and share with us.
ResponderExcluirLet us celebrate our day!
ExcluirDemais!!! Lindo e inspirador, Mae
ResponderExcluirAs músicas são muito interessantes... falam das diversas mulheres que podem coexistir em nossas almas.
ExcluirAna querida, gostei muito de sua crônica! Dia 8 de março vou compartilhar. Obrigada.
ResponderExcluirQue bom que gostou! E vamos comemorar dia 8!
ExcluirOi Ana, parabéns pela crônica alegre, inteligente e bem humorada.
ResponderExcluirVocê é alto astral!
Um beijo carinhoso,
Ângela
Obrigada por ser leitora fiel!
ResponderExcluirBeijos
Somos “cantadas” em todas as línguas, e somos “mostradas” com todos os nossos jeitinhos. Sim, Ana, embora ainda muito de opressão e de machismo somos admiradas e reconhecidas também por nossa capacidade de preservação da ternura diante dos desafios.
ResponderExcluir